(Carlos Drummond de Andrade)
É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.
É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.
É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.
É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.
Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.
(assim foi a prova de ontem)
Sou só metade se você é meu par.
Eu só queria com você me casar, e você me completa.
Eu quero tudo e sempre tudo coloco em risco
E num mergulho eu acho que sou seu marido e eu me afogo!
O meu relevo ofereço pra tua visão e você me afarga
Quero que a sua língua lamba meu corpo nu.
E que o meu sexo te dê todo céu azul.
Nas suas pernas se encrava o tesouro do meu baú e eu te abuso!
Me dê um beijo sem nenhum pudor!
Rasgue meu sal feio um animal.
Use sua boca me faça o seu fio dental
Solte meu cinto, sou seu guia e farol e eu te ilumino.
Diga seu nome que eu revelo minha identidade, mate minha fome que eu farei tuas vontades.
Uma esfinge cercada por três pirâmides e você me enterra!
Temos dois lados pois temos frente e verso,
me queira inteiro, assim, te imploro e peço.
Sou mais cabeça, sou seu fogo, seu forro, seu ferro e eu te engulo!
Eu sou um homem você é uma mulher.
Você me come porque eu quero ser sua mulher
E eu quero o homem que come essa mulher.
Será que você me entende?
E finalmente restaremos só osso e pó, sejamos homens, mulheres, qualquer um de nós .
E fatalmente terminaremos sós, mas você a quem pertence?
Você pertence a você!
(fragmentos da música Monóico - Nando Reis)
Que as suas vontades que vêm do nada venham sempre pra mim.
Sempre.