November 21, 2008

O enterrado vivo

Filed under: Cotidiano

(Carlos Drummond de Andrade)

É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.

É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.

É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.

É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.

(assim foi a prova de ontem)

1 Comment »

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  1. “É sempre no meu peito aquela garra”
    adorei

    Comment by FIlipe — December 5, 2008 @ 12:26 am

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