Fiz da mera incerteza do acaso algo bem grande,
quase palpável.
Mudei meus planos perpétuos e quase perdidos
trocando a cor dos cabelos pra vermelho,
tingindo o céu cinza que ultrapassava o azul.
Azul de rio que nunca foi anil, e sim claro,
como observar as coisas que se gosta bem de perto,
tanto, tanto, que é possível sentir o gosto mesmo antes de beijá-las.
Esquecer que meus dias são finitos,
pra lembrar que posso senti-los de maneiras infinitas.
Quebrando a minha rotina pra poder te ter, inteira, na minha retina.
coisas que não tem fim mesmo depois que acabam.
nonsense.
Existem milhares razões para escrever e apenas uma, muito forte, que me impede.
nonsense.
As palavras fogem-me no sentido inverso
Antes escapavam, sem pudor algum, pelas pontas dos meus dedos
Agora correm macia pra dentro do meu ser
Revertem-se em um número infindável de sensações
Brotam em minha face em simples expressões risonhas e tranquilas
Aqueles dias tempestuosos foram embora,
Ainda que, vez ou outra, alguma nuvem apareça
Sopramos-a pra longe.
Quero o sol, quero as estrelas
E também a sua chuva.
Chovo em ti, o tempo todo.
O acaso a se esconder.
Que as suas vontades que vêm do nada venham sempre pra mim.
Sempre.
glory box
Eu preciso fazer isso acontecer, agora. Pra que cada segundo de cada segunda seja menos rápido e mais intenso.
Você precisa me ajudar a colocar os quadros na parede, depois disso podemos deitar no chão e ouvir uma música calma e forte. Faríamos planos pra conhecer o hemisfério-norte. Paris. Íriamos pra todo canto, fosse feriado, fosse dia santo.
Talvez naqueles dias cinzentos pediríamos pizza, meia portuguesa/ meia quatro-queijos, faríamos amor no chão da sala e a moça da música cantaria tão bonito "Give me a reason… to love you. Gimme a reason…"
Nos dias quentes sentaríamos no jardim com o cachorro, grande e babão. Cervejas. Risadas. Beijos. Mesmo depois de dois ou dez anos. Não é possível imaginar a vida a dois, três ou mais, sem isso. Sem aquele calor que corrói os ossos, sem tesão. Imaginar o fim sem mordidas, mesmo velhos, talvez velhinhos.
#8
e fica tudo assim.
Depois do beijo, a mais completa solidão.
.do dominguinhos
Que falta eu sinto de um bem
Que falta me faz um xodó
Mas como eu não tenho ninguém
Eu levo a vida assim tão só
Eu só quero um amor
Que acabe o meu sofrer
Um xodó prá mim do meu jeito assim
Que alegre o meu viver
(será que é a idade?)
#7
reescrevi mil vezes o poema que queria te mostrar
e isso tudo só porque não sei como explicar
que talvez, também, eu não saiba sentir
e já não sei se devo ficar ou se devo ir
o que sinto é verdade ou um leve torpor?
sinônimos
Caminhos torturantes, brancos, delirantes,
apenas sigo, sem rumo e sem norte; não há chegada.
É o eterno transitar por entre os engarrafamentos que me habitam.
Parar não cura, correr não salva.
Esquivo-me desses atalhos ilusórios, vivo à margem.
Torturado em meio a doces deletérios,
compartilhando a angústia como cúmplice.
Reprimindo toda idéia de sensatez,
pela sublime sensação, ainda que por um instante, de desvario.
#6
e quando chegarmos ao espaço sideral, não se esqueçam, respirem pelo nariz.
